PENSEI EM ALGUMA COISA COM RENDA!

A renda é um tecido com padrão de orifícios e desenhos feitos à mão ou à máquina. Os tipos mais comuns são a renda de bilros e a renda de agulha.

Fabricação de renda de bilros.
Fabricação de renda de bilros.

A renda de bilros é criada pela manipulação de numerosos fios, cada um deles presos a um bilro, sendo em geral trabalhada sobre uma almofada. A de agulha é confeccionada dando-se laçadas com o fio (estando uma extremidade presa a uma agulha e outra presa a uma base) em pontos simples ou complexos, o que resultam num padrão ou desenho preestabelecido.

Fabricação de renda de agulha.
Fabricação de renda de agulha.

No Brasil a renda de bilros foi trazida pelos portugueses e durante muito tempo foi a ocupação de freiras nos conventos. Aliás, de início, o uso das rendas restringia-se aos mantos do clero e da realeza, sendo muito empregada em vestidos, véus, casaquinhos, luvas e os adornos.

No começo, as rendeiras elaboravam tramas confeccionadas com linho. Aos poucos este ofício, transmitido de mães para filhas, passou a ser exercitado com matérias-primas como algodão, seda, viscose, nylon e elastano.

Grace Kelly.
Grace Kelly.

Este processo transformou a renda em um material de menor custo e, por isso mesmo, menos elitista. Mesmo assim, durante boa parte do século XX, este tecido ficou restrito a pequenos detalhes das roupas íntimas e dos trajes de noiva.

No século XXI, aos poucos, os estilistas Turcos foram levando a renda, exclusiva de casamentos e alta costura, para o dia a dia. Em 2009 a renda explodiu no mercado, e virou um item clássico do armário, para todas as ocasiões e horários.

Zuhair Murad
Zuhair Murad.

Hoje existem inúmeros tipos de renda, a maioria com o nome da região onde a trama foi criada (italiana, valenciana, de Bruxelas, irlandesa, veneziana, milanesa, etc.), cada uma com um padrão de desenho diferente. Outros tipos se referem ao estilo da trama: renda tulipa, ondulée, renascença, labirinto, richeleu, etc. A variedade é tanta que só um bom conhecedor pode identificar a origem à primeira vista.

Nesse sobe e desce de status, qual seria a explicação lógica para que só existam vestidos de renda nas lojas de compra/aluguel de roupas de festa? Qual a lógica para o produto ainda estar tão agregado ao luxo?

No mercado de tecidos você pode encontrar rendas diversas, mas o que mais chama atenção é o preço. Para se ter uma ideia da média: a Chantilly Francesa simples sai por R$ 900 reais o metro; a Soutache no tule point sprit, R$ 1.500 reais o metro; a Richelieu, R$ 798 reais o metro; e a mais pobrinha do grupo, a Guipiur, sai por R$ 150 reais o metro. Pela lógica, aquele seu tubinho, comprado por R$ 200 reais, nem de renda Guipiur é.

Tipos de rendas.
Tipos de rendas.

Isso nos mostra que um vestido de festa alugado na faixa de R$ 800 a R$ 2.000 reais, sem sombra de dúvidas, também não foi confeccionado com nenhuma das rendas citadas acima. Um dos fatores que fomentam o uso de rendas em lojas de aluguel, é que uma modelagem ruim e ajustes repetidos, são todos facilmente mascarados.

Vestido encontrado em qualquer loja de compra ou aluguel.
Vestido encontrado em qualquer loja de compra ou aluguel.

Colocando na ponta do lápis, um vestido reto, longo, tamanho 38, gasta no mínimo 2 metros de tecido para sua confecção. Além do custo da renda, existem todos os custos envolvidos na produção, que vão desde o desenho, passando pela modelagem, até chegar na costura.

Por isso, quando as mulheres associam a presença da renda a um vestido de luxo, elas não estão tão erradas assim. O que a torna cafona é achar que uma roupa feita de material de qualidade, sem uso de mão de obra escrava, custaria menos de R$ 5.000 reais.

Karlie Kloss - Elie Saab
Karlie Kloss – Elie Saab

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